Pesquisa
Ouça em
Siga-nos

Ooops ! You forgot to enter a stream url ! Please check Radio Player configuration

Pesquisa
Ouça em

Quem ganha com a polarização?

quem-ganha-com-a-polarizacao

Pense nisso: como você reage diante de uma opinião diametralmente oposta à sua? 🤔

 

Com toda a sinceridade, diga que sinais o seu cérebro emite quando alguém se posiciona de forma contrária ao que você acredita. Por acaso surge alegria pelo fato de estar diante da oportunidade de estabelecer um debate enriquecedor ou uma vontade incontrolável de desautorizar – ou até de silenciar – o interlocutor?

 

Deixando de lado a máscara do “politicamente correto”, aposto que a maioria das pessoas, pelo menos na atualidade, se enquadra no segundo grupo.

 

A polarização de ideias não traz absolutamente nenhuma vantagem para nós, pessoas comuns que levam a vida sem privilégios especiais e que ainda precisam das interações sociais para conseguir operar no mundo.

 

Mas, pelo contrário, dois importantes aspectos da vida contemporânea parecem se alimentar das lutas travadas em nome do “preto no branco”: a política e as redes sociais.

 

Vamos conversar um pouco sobre cada uma delas.

 

Quem ganha com a polarização na política?

 

“Qualquer um que discorde das coisas que eu acredito é meu inimigo”.

 

Essa frase soa mal, certo? Mas diga se, por acaso, não há pelo menos uma pessoa no seu círculo de relacionamentos que tenha adotado essa forma míope de enxergar o mundo.

Governos de orientação populista vêm capitalizando em cima dessa conduta combativa. Quanto mais acirrada a batalha no campo ideológico, maior é o magnetismo exercido sobre seus seguidores mais fervorosos. 

 

Ao traçar uma linha imaginária no chão, estabelecendo “eles lá e nós aqui”, os espectros políticos opostos mantêm a chama alta – e quem se queima são as pessoas comuns, especialmente as menos favorecidas.

 

Quem ganha com a polarização nas redes sociais?

 

A luta do campo político repercute no ambiente virtual, vitaminada pela ausência de fronteiras e pela sensação de impunidade daqueles que falam o que querem sem temer a responsabilização.

 

Mas a polarização digital transcende a política e cria “adversários” em diversos outros aspectos da vida. Não fosse a internet, movimentos como o terraplanismo provavelmente não se espalhariam, pois o ambiente digital é terreno fértil para fake news, pós-verdades e desinformação. 

 

O documentário da Netflix intitulado O Dilema das Redes aponta que os arquitetos por detrás dos algoritmos do Google e do Facebook, entre outros gigantes tecnológicos, criaram um modelo de negócio que lucra com a desinformação, uma vez que mais dinheiro é gerado ao se permitir que informações não verificadas alcancem qualquer pessoa pelo melhor preço. 

 

Motivo: as informações falsas geram mais lucro do que a verdade, pois esta não é tão “atraente”.

 

Assim, teorias da conspiração colocam em confronto pessoas pró e contra as vacinas, por exemplo. Quem não acredita na gravidade da COVID-19 assume condutas egoístas e imprudentes, gerando riscos para si mesmas e, como ninguém vive ilhado, também para quem adota medidas preventivas. 

 

Preste atenção nisso: NINGUÉM VIVE ILHADO. Acreditar nessa afirmação representa o fim da visão polarizada. Você já vai entender porquê.

 

No fim das contas, queremos as mesmas coisas

 

Sem distinção, todos o ser humano quer, em última análise, ser feliz e se afastar do sofrimento. Acontece que, para que estes objetivos sejam atingidos, diferentes caminhos são adotados. 

 

Pensar que todos nós, sem exceção, compartilhamos as mesmas metas centrais na vida é uma reflexão poderosa. Se bem cultivada, ela pode dissipar os véus que nos mantêm nesse looping de antagonismo infundado. 

 

Pense: você tem os mesmo objetivos finais que aquela pessoa que ofendeu suas crenças políticas/ideológicas. Será que somente o fato de vocês apresentarem diferentes pontos de vista os qualifica como inimigos irreconciliáveis?

 

Abrir-se para esta visão de mundo mais abrangente tem por consequência natural o desenvolvimento da empatia. Sem ela, não há compreensão, e, sem a compreensão, as divergências se impõem e o caos é instaurado.

 

A reflexão sobre o fato de todos os seres humanos terem os mesmo objetivos centrais é um exercício individual. Ver as coisas com esse nível de clareza altera positivamente a sua forma de atuar no mundo. Ao circular pela vida com essa postura, você acaba por afetar o seu entorno. Mais e mais pessoas serão instigadas a pensar sobre os prejuízos causados pela polarização.

 

E não adianta: é trabalho de formiguinha mesmo. Essa mudança de paradigma só funciona quando os processos de transformação pessoal são internos – e, por isso mesmo, sinceros. A conduta conciliadora, e não combativa, precisa operar no nível da crença. Aceitar a diferença de opinião precisa ser natural. 

 

O segredo é retirar a importância das coisas erradas e colocar nas certas. Pergunte-se o que é mais nobre: impor sua forma de ver o mundo ou ter o interlocutor – mesmo com opiniões antagônicas – do mesmo lado que você, ambos trabalhando para a harmonização da sociedade?

 

É preciso fazer com que seja uma consequência natural dessa postura conciliatória a progressiva diminuição de pessoas que votam em candidatos populistas, que se alimentam dos ânimos alterados; é preciso reverter a banalização da agressividade nas redes sociais; é preciso ressignificar a diferença de opinião.

 

O diferente não é o inimigo, mas sim um complemento nesse complexo quebra-cabeça que é viver em harmonia na coletividade. Não há outra forma sem que desemboque no conflito. 

Estamos falando de um processo, o qual pode ser longo, mas que precisa começar em algum ponto.

 

Conhece o jargão popular “se não faz parte da solução, então faz parte do problema”? É exatamente isso. O caminho da polarização já se mostrou bastante destrutivo. Se a “anulação” do antagonista não funciona, é preciso mudar a tática do jogo. Ao invés de eliminá-lo, tente entendê-lo. 

 

Nunca esqueça que, para o seu interlocutor, faz todo sentido agir da forma que ele age. Tudo é uma questão de referencial. Além do mais, é provável que ele também condene o seu modo de agir e pensar, simplesmente por não entendê-lo.

 

Nós, na radioava.global, escolhemos fazer parte da solução. Da forma como o vemos, o mundo é mais bonito. 

 

 E você? Quer somar? Sinta-se em casa! Deixe seu comentário ou entre em contato conosco para conversarmos sobre como podemos fazer a diferença. 😀

 

 

AUTOR

Cristian Amaral 🇧🇷 

 

Eu movo as palavras de lá para cá, e escolhi a web como tabuleiro desse jogo. Assim como todo profissional online, encaro diariamente o tsunami de informações e tecnologias, mas sempre atento ao fato de que, no final das contas, seguimos lidando com pessoas.

 

cristian@k2ponto.com.br

LinkedIn

 

 

Discutir sobre

Leitura adicional

como-se-manter-otimista-em-situacoes-dificeis

Como se manter otimista em situações difíceis

Parece quase impossível se manter otimista em momentos perturbadores. O ano de 2020 foi a prova disso: preocupação constante com a saúde, insegurança financeira, desigualdade social e desastres climáticos marcaram um ano bastante complicado.     ...

Rádio ao vivo

Ooops ! You forgot to enter a stream url ! Please check Radio Player configuration